Por José Ricardo Wendling
Água é
fundamental para a vida. Ninguém vive sem água. Todas as pessoas, com ou sem
renda, necessitam de água. A ONU, em 2010, definiu o direito humano à água
potável e ao saneamento básico. Portanto, água é um direito.
Pela Constituição
Federal, cabe ao município administrar o fornecimento de água tratada e a
coleta e tratamento de esgoto. O município pode repassar o serviço para
terceiros, por meio de concessão pública, devendo estabelecer metas de serviços
e investimentos para serem realizados.
Esta é a
situação de Manaus. Desde o ano 2000, o serviço é de responsabilidade da
empresa Manaus Ambiental, antes chamada de Águas do Amazonas.
O
contrato com a empresa foi de 25 anos, podendo renovar por igual período. O
contrato e suas metas foram repactuados em 2005, na gestão do prefeito Serafim
Corrêa, e depois em 2012, com o prefeito Amazonino Mendes.
Nesses
doze anos, as metas estipuladas pela Prefeitura para o serviço de distribuição
de água não foram cumpridas. Em 2011, o fornecimento de água tratada deveria
alcançar 98% das residências de Manaus, com 24 horas diárias, e a coleta e
tratamento de esgoto deveria ser de 51% das residências.
Porém, a
meta de água está abaixo do previsto e o esgoto com menos de 10%, conforme dados da Agência Reguladora de Serviços Concedidos do
Amazonas (Arsam).
Com isso,
estima-se que cerca de 500 mil pessoas em Manaus não tenham água em suas
residências, principalmente, nos bairros da Zona Leste e áreas de expansão da
Zona Norte da cidade.
Em 2008,
o Governo do Estado, por conta própria, decidiu construir uma nova estação de
tratamento de água, na Zona Leste, no início do Distrito Industrial II, com
captação de água na Ponta das Lajes, no Puraquequara. Para isso, buscou
empréstimos de R$ 232 milhões do Governo Federal e com mais recursos próprios
construiu o Complexo do Proama, o Programa Águas para Manaus.
A obra
deveria ter sido concluída e entrar em funcionamento em 2010, mas, passados
três anos, não levou água para nenhuma residência de Manaus. O investimento
total já chega a R$ 400 milhões.
Uma das
razões para a não operação do Proama é que a exclusividade da distribuição de
água é do Município e da concessionária, não devendo o Estado ter investido em
água, sem definir a gestão do Proama. O
impasse jurídico quanto à venda da água para a população e quanto ao pagamento
do financiamento feito pelo Estado paralisou o projeto. Uma grande
irresponsabilidade pública.
No final
de maio deste ano, finalmente, a Prefeitura e o Governo assinaram um Protocolo
de Intenções para criar o Consórcio Público Proama e aprovaram projeto na
Assembleia Legislativa definindo que sua administração será de forma direta ou
por concessão pública.
Nas
discussões na ALE fica claro que a intenção do Governo é privatizar o Proama,
ou seja, repassar, possivelmente, para a empresa Manaus Ambiental, sem definir
a forma como os investimentos públicos serão ressarcidos, o que não é aceita
pela população, além dos agravantes desta empresa não estar cumprindo as metas
estabelecidas pelo contrato com o Município e não ter investido nada no
empreendimento.
Também
foi prometida pelo Governo a implantação da Tarifa Social, com redução das
tarifas cobradas à população mais carente, além da instalação gratuita dos
hidrômetros nas residências.
No
Protocolo de Intenções está previsto que o Governo deve regulamentar a Política
Estadual de Recursos Hídricos, com vistas ao cadastramento ou licenciamento dos
sistemas de captação de águas, inclusive, por meio de poços e suas
interligações. Ou seja, irá definir lei, no sentido de que todos que têm poço
artesiano tenham que pagar pela água ou se interligar com o sistema público.
A
intenção é obrigar as empresas do Distrito Industrial e demais empresas e
condomínios residenciais a pagarem pela água e, com isso, aumentar o
faturamento da empresa concessionária e garantir a Tarifa Social e o pagamento
do financiamento para construir o Proama.
Assim, tudo
indica que a intenção é que todos tenham que pagar pela água.

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