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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Comparação Brasil x China: crescimento medíocre?



Por Ricardo Maia


Frequentemente ouvimos a comparação negativa quando analistas colocam a China como exemplo de desenvolvimento econômico para o Brasil. O parâmetro é o “pibinho” brasileiro comparado ao “pibão” chinês, parece até clichê ou uma piada invertida, mas não é.

O grande problema dos economistas neoliberais em seus comentários é o intuito de transformar uma situação econômica controlada numa economia comparada a um grande caminhão desenfreado indo ladeira abaixo. Mas qual é o preço que se paga por esse tipo de desenvolvimento? Qual o verdadeiro custo de oportunidade para alcançar essa meta?

A história nos conta que a China experimentou uma grande virada através de importantes reformas econômicas, principalmente após a morte de Mao em 1976, quando o partido comunista afrouxou o controle governamental sobre a vida dos cidadãos e as comunas populares foram dissolvidas. Estes e demais eventos marcaram a transição da China de uma economia planejada para uma economia mista com um ambiente de mercado cada vez mais aberto e com jeitão capitalista.

Entre 1990 e 2001 o desempenho econômico chinês retirou 150 milhões de camponeses da pobreza e manteve uma taxa media anual de crescimento do PIB de 11,2%, desta forma o país aderiu a OMC naquele ano. Entretanto, o rápido crescimento econômico que tornou a economia chinesa a segunda maior do mundo, também impactou severamente os recursos naturais e o meio ambiente do país, além do mais, os benefícios do crescimento da economia não foram distribuídos uniformemente entre a população, resultando em uma ampla lacuna de desenvolvimento entre as áreas urbanas e rurais. De acordo com o Ministério chinês de recursos hídricos, cerca de 300 milhões de chineses não tinham acesso à água potável e 40% dos rios do país estavam poluídos por resíduos industriais e agrícolas até o final de 2011. Resumindo, nas últimas décadas, a China sofreu demasiadamente com a grave deterioração ambiental e a poluição.

O sucesso comercial da China deve-se principalmente ao seu baixo custo de produção, atribuindo uma combinação de fatores como boa infraestrutura, nível elevado de tecnologia, alta produtividade, em muitos casos também o não pagamento de licença comercial, mas o mais importante está no BAIXO CUSTO DE MAO DE OBRA. Mesmo com um progresso significativo dos últimos anos, há grandes obstáculos para o crescimento chinês em longo prazo, a significativa piora da distribuição de renda é apenas um dos fatores negativos para o desenvolvimento social, onde a China só perde para o Nepal, entre os países mais desiguais da Ásia e entre os mais desiguais do mundo. Inclusive, isso já gerou milhares de incidentes em massa, eufemismo chinês que o governo utiliza, e que nós chamamos de manifestações.

A china ao mesmo tempo em que reduziu a pobreza com rapidez histórica e elevou a renda real per capita em mais de oito vezes entre 1978-2008, o país emergiu como um dos casos de mais rápida piora na distribuição pessoal e funcional da renda, com o coeficiente Gini nacional(*) saindo de 0,291 em 1980 para 0,478 em 2008. Antes de tudo, vale esclarecer que o PIB per capita possui, neste caso, apenas uma consideração: é possível que o PIB aumente enquanto os cidadãos ficam mais pobres, e isso ocorre porque o PIB não considera o nível de desigualdade de renda das sociedades.


Apesar de a China ter alcançado em 2012 um PIB de mais de U$ 8 trilhões, um crescimento de 7,8%, existem outras realidades que não são comentadas. O contexto nos permite refletir e analisar qual o verdadeiro avanço que o Brasil teve e qual a direção deve-se tomar.










Nos últimos 10 anos, a economia brasileira foi marcada pela combinação de crescimento econômico e melhora da distribuição de renda. O PIB per capita real brasileiro aumentou 29% e foi caracterizado por uma evolução mais favorável da renda da população mais pobre.


O Coeficiente de Gini vem caindo de forma significativa ao longo dos anos 2000, passando de 0,553 para 0,500 entre 2001 e 2011. Esses resultados positivos são complementados por diversas conquistas no campo da redução da pobreza, do mercado de trabalho, da educação, da saúde e do acesso a bens e serviços.



O crescimento econômico trouxe cada vez mais oportunidades de inserção profissional aos trabalhadores brasileiros. De 2002 a 2011, foram gerados 19,1 milhões de empregos formais.


Então fica a pergunta: Por que o Brasil tem um crescimento tão medíocre comparado com a China?

Uma resposta aceitável seria o regime político de partido único da China, onde as decisões não são discutidas, mas impostas. Não precisam de apoio popular e democrático baseado em eleições regulares. Todavia, se formos aceitar esse tipo de argumento estaríamos afirmando a existência de uma impossibilidade na nossa democracia, o que é uma inverdade.

Temos aqui a inflação, grande vilã da discussão e que volta a assustar a todos. Ela tem várias raízes: as econômicas, as financeiras e tem principalmente as subjetivas, derivadas da criação da expectativa de sua chegada.

Nunca se pode cessar o combate a inflação, embora uma pequena inflação como preço do crescimento poderia – e deveria – ser tolerada, desde que, o crescimento lhe fosse superior. Mas entre nós há inflação real, sob controle, e há uma inflação subjetiva, desejada, recessivista, saudosa do austerismo especulativo e estéril que só produz desemprego, queda de poder de compra dos salários, e muita concentração de renda.

As motivações são várias, desde evidentes intenções políticas às tentativas de desestabilização de governo, a desconstituição da parte boa de uma política econômica, a qual, com erros e acertos, mas que busca o desenvolvimento e principalmente a distribuição de renda, esta principalmente por intermédio dos reajustes do salário mínimo.


Precisamos nos convencer de que essa realidade do dia a dia não é uma tragédia, mas um terrorismo mediático de um mercado viciado e especulativo.

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(*) Medida de que consiste em um número entre 0 e 1, onde 0 corresponde à completa igualdade e 1 corresponde à completa desigualdade

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