O que isso tem a haver conosco? Tudo!
A readequação do crescimento da China trará a economia mundial para sua realidade. Vocês sabem qual o nosso deficit fiscal, ou deficit nominal como chamado em nosso país (receitas menos despesas, incluindo a conta de juros)? Gira na casa dos 3%, que só chegamos a isso devido a crise de 2008, enquanto a China, segundo estimativas, ficam entre 10% e 25% (esse número não é oficial). A desaceleração da China incomoda devido a redução do volume de commodities exportados pelo Brasil, principalmente o minério de ferro, mas por outro lado, o tigre asiático terá seu foco voltado para o consumo interno, o que é uma oportunidade para o Brasil exportar alimentos, já que nossa safra deu grandes sinais de melhoria. Outro fator importante com a desaceleração da produtividade chinesa é a oportunidade da indústria manufatureira da Zona Franca de Manaus. Ao contrário do pessimismo dos economistas neoliberais que massacram o Governo Dilma, há uma conjuntura diferente no quadro geral.
Minha crítica para o Governo está na necessidade de segurarmos os gastos públicos, mas principalmente aumentar a FISCALIZAÇÃO destes gastos, afim de estancar a sangria da corrupção.
Segue a matéria, boa leitura!!
Por Sergio Lamucci
Os prognósticos do economista Michael Pettis para a China não são nada animadores. Professor de Finanças da Universidade de Pequim, o americano acredita que o crescimento médio nos próximos dez anos vai ficar na casa de 3% a 4%, dada a necessidade premente do país de reequilibrar a economia, com mais ênfase no consumo do que no investimento, num cenário em que é crucial segurar o endividamento, muito mais elevado do sugerem as estatísticas oficiais.
"Há estimativas de que o déficit fiscal verdadeiro da China está em algum lugar entre 10% e 25% do PIB. Obviamente isso não pode continuar para sempre", afirma Pettis - o número oficial aponta para um déficit pequeno, um pouco superior a 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Para Pettis, que mora no país asiático desde 2002, "o grande volume da dívida, nem toda contabilizada nas estatísticas do governo, está no coração do problema da China, do mesmo modo como estava no coração dos problemas brasileiros no fim dos anos 1970 e no de todo país que teve um milagre de crescimento liderado pelo investimento".
Pettis tem uma visão negativa da China há vários anos, alertando desde 2007 e 2008 para a insustentabilidade do modelo de crescimento do país. "Mas eu sempre disse que esse tipo de expansão poderia continuar por muitos anos, até atingir limites de capacidade de endividamento", afirma ele. "Sempre que a China tem um problema, em outras palavras, ela pode lidar com ele liberando outra onda de investimento movida a dívida, mas isso não é uma indicação de resistência da economia".
Para o economista, o novo governo chinês parece entender a dimensão dos problemas e está tentando reduzir a dependência do país de volumes cada vez maiores de investimentos, muitos deles desnecessários.
O economista americano radicado na China diz também que ainda não está claro se o crescimento na casa de 3% a 4% já será visto nos próximos dois ou três anos. "Pequim está determinada a reequilibrar a economia e, se forem capazes de manter o plano, haverá um crescimento muito mais fraco, mas sem uma crise ou um pouso forçado", diz Pettis.
Se, no entanto, o governo não for capaz de segurar o crédito por motivos políticos internos, "o crescimento poderá superar 7% em 2014 e 2015, mas isso ocorrerá com um risco crescente de uma crise da dívida".
A meta oficial para este ano é de um crescimento de 7,5%. O governo do primeiro-ministro Li Keqiang considera 7% de crescimento da China como piso tolerável para uma desaceleração econômica, segundo informaram agências de notícias chinesas esta semana, sinalizando que o país vai intervir para dar sustentação à expansão caso seja necessário. Os líderes chineses temem que um crescimento menor gere tensão social. Anteontem, o governo anunciou um minipacote de estímulo, que prevê redução de impostos para pequenas empresas, incentivos para exportadores e aceleração dos investimentos no sistema ferroviário do país.
Para Pettis, quanto mais rápido a desaceleração começar, maiores as possibilidades de que o processo seja suave.
Um crescimento de 3% a 4% terá inevitáveis consequências negativas para grandes exportadores de commodities como o Brasil, diz ele. "Embora um reequilíbrio chinês bem sucedido seja bom para a China e para o mundo, ele virá, como é necessário, com taxas de crescimento muito mais baixas, o que certamente vai afetar os produtores de commodities", afirma Pettis, que aponta, contudo, um efeito positivo do reequilíbrio chinês para o Brasil - esse provocará provocará a erosão da competitividade exportadora da China, com aumento de salários e valorização da moeda, o que poderá ajudar a indústria manufatureira do país.

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