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terça-feira, 18 de junho de 2013

Ponto de Exclamação!



Por Ricardo Maia

Qual o fundamento de toda esta manifestação? Quem está por trás disso? Quem ganha e quem perde com todo este movimento? Na verdade são perguntas que ficarão por algum tempo sem resposta clara e direta, mas, cada um de nós sabe de nossas reivindicações, dos nossos problemas, sobretudo àquelas questões que surgem quando passamos em frente à nova Arena da Amazônia e nos perguntamos para quê tanto dinheiro num evento que tem duração de quatro dias, se nosso futebol está na categoria D do campeonato brasileiro? Se nossas escolas públicas estão sucateadas, e se nossas vias estão, hiperbolizando, piores do que a Europa após a Segunda Guerra Mundial? Se nossa infraestrutura carece de investimento, sobretudo os portos do interior do Amazonas que já receberam recursos para as devidas reformas, ampliação e construção, mas há anos sem finalizar as obras. Sem esquecer a saúde e a segurança pública que necessitam de melhoria contínua.

Sinceramente, retruquei na época em que Manaus foi contemplada como subsede da Copa do Brasil de 2014, mas em seguida pensei no seu legado: Na infraestrutura, como internet, telefonia, ruas, avenidas e novas vias de escoamento, transporte público renovado, enfim, toda uma cadeia seria movimentada. Mas ao invés disso nada foi feito e nada será feito. Só um grande monumento em benefício de nada, somente o símbolo de uma megalomania pessoal e de um governo que há muito tempo engana o miserável com um discurso manjado e falacioso.

Na esfera nacional vale pensar numa outra coisa, nosso país ainda carece de muito trabalho a ser feito, sem esquecer que muitos projetos já foram iniciados. Agora, todo governo tem seus focos e diretrizes de trabalho, trabalhos estes que necessitam ser executados por etapa. Um prédio não pode ser construído de cima para baixo, existe uma ordem para todas as coisas. O governo federal atual tem focado em tirar muita gente da pobreza, e isso não se constrói da noite para o dia. Não se pode ter uma política econômica extremamente austera quando se têm que tirar milhões de brasileiros da pobreza e extrema pobreza, isso envolve forças e classes contrárias, além de consequências, que quando ocorrem, precisam ser monitoradas e controladas, neste caso e em termos econômicos, temos a inflação como exemplo mais contundente.

Na economia existe o conceito do custo de oportunidade, onde o termo é usado para indicar o custo de  uma oportunidade renunciada, ou seja, o custo, até mesmo social, causado pela renúncia do ente econômico, bem como os benefícios que poderiam ser obtidos a partir desta oportunidade renunciada. As correntes neoliberais reclamam da desaceleração da economia frente a uma política de aumento do poder de consumo e o aumento das classes C e D, um passo que foi dado sabendo-se deste custo de oportunidade, acontece que estes neoliberais não explicam o custo de oportunidade neste caso, nublando um debate em prol das grandes castas. Só não comentam que o próximo passo, não menos simples, do Governo agora é unir o poder de consumo atual e demanda existente com a oferta em falta, fomentar a produtividade necessária para se chegar ao equilíbrio desejado. Posso citar a MP dos Portos como decisão importante para esta meta.

O capitalismo, infelizmente, sustenta uma casta que nunca quer perder nada, que almeja ganhar mais e mais multiplicados infinitamente, que não se importa de fato com aqueles estão abaixo de sua linha de sustentação. Todavia, para diminuir este hiato entre a extrema pobreza e a extrema riqueza, são necessárias medidas que nunca irão agradar as multinacionais e as forças contrárias, gerando medos e incertezas.

Estas reivindicações que estamos vendo são válidas e pertinentes, mas devemos cobrar principalmente os GOVERNOS ESTADUAIS e MUNICIPAIS, que são os receptores e gestores de VULTOSOS volumes de recursos para execução de políticas públicas, e que na maioria das vezes não são utilizados corretamente. Neste caso, temos as ferramentas de controle externo: Legislativo, TCE e a população que mais do que nunca, tem que ser atuante e diligente, fiscalizando e cobrando do poder público a execução das políticas públicas firmadas.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Ponto de Ruptura





Revista Isto é
Por Ricardo Amorim


Em time que está ganhando não se mexe. E em time que está perdendo? Não, nada a ver com a seleção do Felipão. Refiro-me à nossa política econômica.

No ano passado, em toda a América Latina, o crescimento brasileiro superou apenas o do Paraguai. Em 2011, nosso crescimento já tinha decepcionado e no primeiro trimestre deste ano, nova desilusão. Para piorar, a inflação anual está em elevação desde julho, nosso déficit de transações correntes ̶ o mais importante indicador da saúde das contas externas  vem aumentando desde setembro e nosso déficit público cresce desde agosto de 2011.

Com tantas variáveis macroeconômicas piorando, por que a insistência do governo em seguir por um caminho que não tem trazido bons resultados? A explicação é política e econômica. Até agora, o mau desempenho macroeconômico não afetava a popularidade da Presidenta Dilma porque o desemprego continuava em queda, causando elevações de salários. Salários mais altos somados ao crescimento da oferta de crédito geravam maior poder de compra para boa parte da população, e satisfação com o governo.

Algo começou a mudar. Entre as surpresas negativas dos recentes dados do PIB, a maior foi a expansão pífia do consumo das famílias, até aqui o principal pilar de sustentação de nosso crescimento. A elevação dos preços e altos níveis de comprometimento de renda com pagamento de prestações de dívidas já estão minando a capacidade dos brasileiros de ir às compras e a própria popularidade da Presidenta.

Não por acaso, o governo deu sinal verde ao Banco Central para enfrentar a ameaça inflacionária, acelerando a alta de juros. Os juros ainda terão de subir mais, talvez muito mais, até porque, na falta de medidas compensatórias, a desvalorização do Real frente ao dólar aos níveis mais fracos desde 2009 colabora para a aceleração da inflação.

Se for significativa, a alta dos juros pode debelar o risco inflacionário, só que encarece o crédito e esfria o consumo. Por outro lado, se não for acompanhada de medidas de estímulo à expansão da capacidade produtiva  ̶ estímulos a investimentos e produtividade  ̶ ela transformará o PIBinho em PIBúsculo, com crescimento do desemprego e quedas de salários.

Para crescer de forma sustentada a longo prazo, um país necessita de expansões também sustentadas tanto da oferta de bens e serviços quanto da demanda por eles. Se o consumo não se ampliar  ̶  como tem ocorrido em tantos países europeus nos últimos anos  ̶  a economia não se expande. Se a oferta não acompanhar a alta do consumo, o crescimento econômico será limitado e a inflação subirá, como tem ocorrido recentemente no Brasil.

Entre 2004 e 2010, foi possível evitar este truísmo econômico porque partimos de um desemprego alto e uma utilização limitada da infraestrutura existente. De lá para cá, incorporamos milhões de pessoas ao mercado de trabalho e o desemprego caiu aos níveis mais baixos da história. Com parcos investimentos, o atual gargalo de infraestrutura é óbvio. Para completar, políticas voltadas para reduzir as margens de lucro nos setores financeiro, elétrico, de mineração e petrolífero afugentaram investimentos, limitando o crescimento da oferta de produtos e serviços.


Uma mudança no modelo de desenvolvimento do país é inevitável, política e economicamente. Não dá mais para estimular a demanda sem impulsionar o crescimento da oferta. O governo parece ter percebido isto. Recentemente, elevou a remuneração para investimentos no setor ferroviário e aprovou a nova lei dos portos. Para o bem do país, e até das pretensões eleitorais da Presidenta, mudanças adicionais terão de ser rápidas, amplas e profundas.