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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Renda Fixa ganha da Bolsa no longo prazo


Caro Dinheiro | Por Samy Dana

O princípio de risco-retorno na teoria das finanças sugere que, quanto maior o risco assumido, maior a rentabilidade (ou o prejuízo) de determinado investimento. Em alguns casos, porém, essa suposição pode gerar confusão.

A maior parte dos analistas e investidores brasileiros defende que a rentabilidade da Bolsa supera a de títulos de renda fixa no longo prazo.

Muitos evocam o princípio acima para dizer que, por ser bem mais arriscada, a Bolsa produz retornos maiores. Sustentam ainda que a Bolsa pode ser volátil no curto prazo, mas no longo prazo seu risco é diluído e o lucro sobe.

Contrariando o que diz a maioria dos analistas, um estudo sobre a rentabilidade dessas duas formas de investimento em janelas de 1 a 18 anos no período pós-Plano Real mostra que a melhor forma de aplicação foi a renda fixa (nessa análise, o CDI, juros dos empréstimos entre bancos), com a Bolsa (Ibovespa incluindo dividendos e outros proventos) bem atrás.

De 4.010 simulações realizadas em um horizonte de três anos, em 43,69% dos casos a Bolsa se saiu melhor. Mas, ao contrário do que alegam os financistas, em um horizonte maior, de 12 anos, a Bolsa venceu em apenas 39,5% dos casos em 1.742 simulações realizadas.

A grande confusão é achar que a Bolsa nacional segue o modelo dos mercados desenvolvidos, como o dos EUA.

As realidades são distintas. Lá, os investidores conseguem prever melhor a fatia do lucro da empresa que será distribuída aos acionistas. Além disso, uma economia emergente oscila mais. 
Com taxas de juros menores e o desenvolvimento, porém, o cenário pode mudar.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Três bancos brasileiros estão entre os que mais ganham com juros no mundo


Por Sílvio Guedes Crespo



A receita dos três maiores bancos brasileiros com juros é desproporcional ao tamanho deles, em comparação com instituições financeiras de outros países, conforme indica um levantamento da revista britânica The Banker.
O Itaú, apesar de ser só o 39º maior banco do mundo no ranking geral da revista, é o 13º quando o assunto é cobrança de juros. O conglomerado financeiro recebeu US$ 27,687 bilhões com empréstimos no ano passado.
O Banco do Brasil, 36º do mundo em tamanho, é o 14º em cobrança de juros, com US$ 23,73 bilhões. O Bradesco é o 16º nesse quesito (com US$ 21,247 bilhões no ano passado), mas apenas o 42º em tamanho.
Juntos, Itaú, BB e Bradesco ganharam US$ 72 bilhões com juros em 2012.
O indicador usado para definir o tamanho dos bancos é o chamado “capital de nível 1″, que inclui apenas a parcela dos ativos considerada de melhor qualidade. 

OS 20 BANCOS QUE MAIS GANHARAM COM JUROS EM 2012

Ranking de jurosRanking geralBancoPaísReceita de juros
(US$ bi)
ICBCChina66,427
China Construction BankChina56,153
10ºAgricultural Bank of ChinaChina54,353
CitigroupEUA48.635
JP Morgan ChaseEUA45,121
Wells FargoEUA43,746
Bank of AmericaEUA41,475
Bank of ChinaChina40,853
14ºSantanderEspanha39,772
10ºHSBC HoldingsR. Unido37,672
11º13ºCrédit AgricoleFrança30,500
12º11ºBNP ParibasFrança28,687
13º39ºItaú Unibanco HoldingBrasil27,687
14º36ºBanco do BrasilBrasil23,730
15º34ºSberbankRússia23,205
16º42ºBradescoBrasil21,247
17º20ºDeutsche BankAlemanha20,964
18º31ºBBVAEspanha19,95
19º23ºBank of CommunicationsChina19,098
20º15ºBarclaysR. Unido18,358
  • Fonte: The Banker
China domina
Apesar da boa performance dos bancos brasileiros, os chineses dominam o topo do ranking de receita de juros, com cifras bem mais altas que a de Itaú, BB e Bradesco.
O ICBC, maior conglomerado financeiro do mundo, foi o que mais ganhou com juros – US$ 66,427 bilhões no ano passado. O segundo e o terceiro lugares também são da China.
Em seguida aparecem os americanos Citigroup, JP Morgan Chase, Wells Fargo e Bank of America. O primeiro europeu da lista é o espanhol Santander.
Juros no Brasil
A taxa básica de juros no Brasil está hoje em 8% ao ano. O número é bem mais baixo do que os 45% alcançados em março de 1999, mas ainda superior à maior parte dos países. Em termos reais (descontada a inflação projetada), a taxa é a quarta mais alta do mundo, abaixo apenas de China, Rússia e Chile, em um ranking de 40 países elaborado pela MoneYou.
No ano passado, o setor público brasileiro gastou R$ 214 bilhões com juros aos credores, dos quais R$ 105 bilhões saíram dos cofres da União, Estados e municípios e o restante foi pago por rolagem (quando o governo faz novas dívidas para pagar as que estão vencendo), segundo o Banco Central.
Considerando os setores público e privado, existem hoje na economia brasileira R$ 2,5 trilhões em empréstimos e financiamentos, sendo R$ 1,1 trilhão tomados por pessoas físicas e R$ 1,4 trilhão por pessoas jurídicas.
Na média, os bancos que operam no Brasil pagam taxa de juros de 6,9% ao ano quando tomam dinheiro emprestado e cobram 18,1% quando emprestam, ainda segundo o BC. A diferença, atualmente em 11,2 pontos percentuais, é o chamado spread bancário. Ela ainda é considerada alta por muitos analistas. Há um ano, no entanto, girava na casa dos 15 pontos percentuais.
Apesar de, na média, os bancos cobrarem 18,1%, a taxa é muito mais alta para alguns segmentos. As pessoas físicas pagam, hoje, 136% ao ano no cheque especial (há um ano, a taxa era de 158%), conforme mostra a tabela abaixo.

TAXA DE JUROS PARA PESSOAS FÍSICAS (% AO ANO)

Tipo de créditoMaio/2013Maio/2012
Imobiliário7,88,7
Compra de veículos19,722,6
Outros bens66,271,6
Cheque especial136,3158,4
  • Fonte: Banco Central